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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Transposição e biotelemetria de peixes no rio Ijuí, RS

Saiu uma matéria no Jornal do Almoço de Ijuí essa semana.
Mostrou um pouco do trabalho que fazemos lá desde 2009.

Há alguns erros nessa matéria, importantes de serem corrigidos. O trabalho é realizados em dois empreendimentos, a UHE Passo São João, da Eletrosul, situada em Roque Gonzalez e a UHE São José, da Ijuí Energia.

Quanto ao trabalho em si, a reportagem mistura duas coisas, a transposição e a telemetria.
Na transposição os peixes das espécies alvo (dourados, piavas, grumatãs, vogas e pintados) são capturados manualmente, pesados, marcados e soltos em locais pré-selecionados. Até o momento mais de 4 mil peixes foram marcados. Esse número vai crescer muito mais, visto que as atividades se encerram somente em março de 2013. As marcas utilizadas são as tag plásticas amarelas mostradas no vídeo (não são antenas).

A outra técnica é o monitoramento por biotelemetria, onde peixes são capturados para colocação de rádios transmissores. Esse ano 110 peixes das espécies-alvo foram marcados e estão sendo monitorados através das bases fixas. Outros 30 ainda serão marcados até o final do ano. Esses peixes, sim, têm antenas, além da marca plástica.

No mais, a matéria mostra nossa área de trabalho e alguns técnicos envolvidos.

Veja o vídeo: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/jornal-do-almoco/videos/t/santa-rosa/v/pesquisas-estudam-o-comportamento-de-peixes/2276336/




quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Transposição de peixes migradores durante a piracema


Com a chegada da piracema, a Eletrosul deu início recentemente à transposição de peixes que migram até as cabeceiras dos rios para desovar. Funcionários da empresa contratada, Simbiota Consultoria Ambiental, realizam a transposição na área da Usina Hidrelétrica Passo São João, entre Roque Gonzales e Dezesseis de Novembro, até março de 2012 quando termina a piracema. O trabalho consiste em capturar os peixes e levá-los até o reservatório da Usina Hidrelétrica São José, da Ijuí Energia, onde podem seguir seu percurso.

De acordo com a engenheira química da Eletrosul, Maristela Boaventura Mendes, responsável pelo trabalho e pelo programa de monitoramento da ictiofauna, além da transposição, a equipe da Simbiota (composta por biólogos, engenheiros de pesca e pescadores da região) continua estudando os peixes migradores da bacia do rio Ijuí, trabalho iniciado em 2009 através de um convênio entre Eletrosul e Ijuí Energia.

Até o momento, 200 peixes já foram marcados com rádio transmissores com o intuito de rastrear seu deslocamento. Na piracema 2011/2012 mais 100 exemplares das espécies alvo - dourado, grumatã, pintado, piava e voga - serão marcados com rádio transmissores aumentando, dessa forma, o número de peixes rastreados.

Maristela explica que a continuidade do estudo tem como objetivo ampliar o entendimento do ciclo migratório, da distância percorrida durante a piracema e a utilização das áreas do rio pelos peixes, a partir da formação dos dois reservatórios. O estudo das espécies migradoras vai até 2014.

Paralelamente, a equipe da Eletrosul, periodicamente, faz um trabalho de divulgação do estudo e pede a colaboração da comunidade no sentido de devolver os rádio transmissores, caso algum peixe marcado seja capturado.

Os números dos telefones de contato para devolução estão identificados nos rádio transmissores.

Fonte: http://www.atribunars.com.br/index.php?origem=noticia&id=24177

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Transposição manual garante passagem de peixes por barragem



Por Rozana Ellwanger

Todos os dias utilizamos a eletricidade automaticamente. Ao acender uma lâmpada ou ligar algum aparelho eletrônico a energia está lá, pronta para nos trazer mais conforto. Mas para que isso seja possível, são necessários muitos investimentos, como na construção de barragens e usinas hidrelétricas.

Mas na construção de uma barragem, deve-se considerar muito mais do que a quantidade de eletricidade que tal empreendimento vai gerar. O impacto ambiental destas construções precisa ser analisado e muitas medidas devem ser tomadas para que a fauna e flora não sofram as consequências do desenvolvimento. Nas barragens hidrelétricas, uma das principais preocupações é com os peixes migradores, que todos os anos empreendem uma longa jornada rios acima para se reproduzirem.

A piracema, como é chamado este processo, é etapa indispensável para a sobrevivência das espécies migratórias. Por isso, a construção de uma barragem requer ações que possibilitem a continuidade deste ciclo. Foi com o objetivo de garantir a reprodução de várias espécies de peixes que a Simbiota, sob coordenação do biólogo Fábio Silveira Vilella, doutor em ecologia e estudos envolvendo ictiofauna e barramentos hidrelétricos, realizou, de 20 de dezembro de 2010 a 8 de abril de 2011, a transposição manual de animais UHE São José, no rio Ijuí. Durante este período, nove pessoas, entre biólogos, estudantes e pescadores, estiveram envolvidos em um longo processo de captura, avaliação, tratamento e soltura dos peixes.

Utilizando redes de espera, iscas artificiais, tarrafas, linhas e cevas, a equipe capturou 1311 peixes em 70 dias de trabalho. Ao todo, foram mais de 2 mil quilos de peixes, entre dourados (Salminus brasiliensis), grumatãs (Prochilodus lineatus), piavas (Leporinus obtusidens), pintados (Pimelodus pintado), voga (Schizodon nasutus) e surubim (Pseudoplatystoma corruscans).

Ao ser capturado, cada animal foi colocado em tanques-rede para se recuperarem. A equipe então realizava uma avaliação do estado de cada animal, verificava seu tamanho e peso e coletava amostras de tecido para futuros trabalhos de genética de população. Só depois de ter certeza sobre as boas condições físicas dos animais, eles eram levados para montante do barramento, ou seja, acima da barragem. Soltos novamente no rio, puderam completar o seu ciclo de reprodução.

Além da coleta de tecido, foram implantados cinco rádio-transmissores em dourados, através de procedimento cirúrgico, atividade acompanhada por técnicos da Ijui Energia, da Eletrosul e por assessores do Ministério Público de Santo Ângelo. Também foram implantadas marcas hidrostásticas em 12 peixes.

CINCO ESPÉCIES CAPTURADAS

Das cinco espécies capturadas nos quatro meses de trabalho, o dourado (Salminus brasiliensis) foi a mais abundante, totalizando 945 animais. Segundo Fábio, isso deve-se ao caráter predador deste peixe, o que facilitou a sua captura, além da clara abundância desta espécie na região. Também foram capturados 346 grumatãs (Prochilodus lineatus), três piavas (Leporinus obtusidens), dez pintados (Pimelodus pintado), seis voga (Schizodon nasutus) e um surubim (Pseudoplatystoma corruscans).